Filipe Lima prefere o Portugal Masters ao Challenge Tour

Filipe Lima prefere o Portugal Masters ao Challenge Tour

Ricardo Melo Gouveia ainda não tomou qualquer decisão

Filipe Lima não tem quaisquer dúvidas e assegura que irá escolher o Portugal Masters em detrimento do swing sul-africano do Challenge Tour. 

O português de 39 anos tem categoria para jogar a tempo inteiro no Challenge Tour em 2021, mas vai optar por competir pouco nesta segunda divisão europeia e concentrar-se mais nas oportunidades que tiver para atuar no principal escalão europeu. 

Filipe Lima não se sente, assim, afetado pela decisão desta semana do Challenge Tour de adiar os seus três torneios na África do Sul de fevereiro para abril e maio. 

«Tinha-te dito no Open de Portugal (em setembro) que não tinha muita intenção de jogar muitos torneios do Challenge Tour em 2021 e que queria jogar mais torneios do European Tour, aqueles em que puder entrar com a minha categoria», disse Lima à Tee Times Golf em exclusivo para Record

Na época passada, quando se apercebeu de que a pandemia iria prejudicar o calendário competitivo, o português residente em França aproveitou para competir menos, dada a promessa dos organizadores do circuito europeu de congelarem as categorias e mantê-las para 2021. 

Com efeito, em 2020 jogou apenas cinco torneios e todos do European Tour. 

Sendo um jogador do Challenge Tour, não poderia, por um lado, lutar por subir ao European Tour e, por outro lado, também não corria o risco de ser despromovido do Challenge Tour. Apostou então numa nova carreira de profissional de ensino (treinador) e dirigente de um clube nos arredores de Paris, guardando os recursos financeiros que lhe restam para investir de novo na sua carreira de jogador em 2021. 

«A preparação está a ser boa e tenho treinado bastante», garantiu o atleta olímpico português, que nem tentou inscrever-se no primeiro torneio do European Tour de 2021 – o Abu Dhabi HSBC Championship, que arranca já no próximo dia 21 –, por saber que nunca poderia participar.  

Sendo um torneio da Série Rolex, é um dos mais importantes do European Tour e nenhum português deverá ter categoria para entrar. Ricardo Santos e Pedro Figueiredo ainda inscreveram-se, mas Ricardo, o n.º1 português no ranking mundial e também aquele que tem categoria mais elevada no European Tour, está oito lugares de fora.  

É provável que Filipe Lima só tenha entrada no Open de Omã, em março, pelo que, se o Challenge Tour arrancasse em fevereiro, como estava previsto, poderia tentar a sua sorte, mas, afinal, a sua decisão estava tomada há muito. 

«Por acaso, li o artigo que escreveste (esta semana) no Record – sobre a alteração dos torneios do Challenge Tour e de como o Open da Cidade do Cabo cai agora em cima do Portugal Masters (na data de 29 de abril a 2 de maio) –, mas eu estarei a cem por cento com o Portugal Masters», frisou o campeão de quatro títulos do Challenge Tour e um troféu do European Tour. 

Indagámos também Ricardo Melo Gouveia sobre o mesmo dilema, mas o profissional da Quinta do Lago irá estudar melhor o assunto: «Ainda não pensei bem sobre essa decisão nem debati (o tema) com ninguém da minha equipa». 

Stephen Ferreira, por seu lado, está numa situação completamente diferente. O n.º3 português no ranking mundial nunca foi contemplado com convites para o Portugal Masters, pelo que nem tem dúvidas de que jogará os três torneios coorganizados pelo Challenge Tour e pelo Sunshine Tour entre finais de abril e inícios de maio. 

Filipe Lima tem um carinho especial pelo Portugal Masters. É o segundo português com melhor palmarés na prova. Passou o cut em quatro ocasiões e em 2017 empatou com Ricardo Melo Gouveia no 5.º lugar, com quem partilha esse recorde nacional. 

«Acho que o Challenge Tour não irá ver muito a minha cara este ano. Talvez só em alguns torneios», acrescentou Filipe Lima, que deu ainda a entender estar aberto a jogar mais torneios portugueses do que é costume. 

«Posso confirmar a minha presença no Portugal Masters e no Open de Portugal (este ano, de novo, uma etapa do Challenge Tour) e até (eventualmente) noutros torneios em Portugal», frisou o campeão nacional de 2017.  

Uma mensagem importante para a Federação Portuguesa de Golfe e para a PGA de Portugal, entidades que poderão organizar torneios para profissionais em 2021.

Aliás, a FPG já anunciou a organização de sete torneios para profissionais esta época: cinco do Circuito FPG (que conta igualmente com amadores), o Campeonato Nacional Absoluto (que também integra amadores) e o Open de Portugal at Royal Óbidos (quase exclusivamente para profissionais). 

O primeiro desses torneios será a 6 e 7 de fevereiro, no Montado Hotel & Golf Resort, em Palmela, com 7.500 euros em prémios monetários, e Filipe Lima não tem, em princípio, qualquer torneio marcado para essa data.  

Seria um reforço de peso contar com ele no Montado. Ricardo Melo Gouveia já admitiu perfeitamente a hipótese de iniciar em Palmela a sua época de 2021 e, afinal, Lima e Melo Gouveia são os dois jogadores que representaram Portugal nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. 

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt) para Record.

Lisboa, 16 de janeiro de 2021

Fotografia © Octávio Passos